O Senado dos EUA aprovou nesta terça-feira (14) a indicação de Kevin Warsh para presidir o Federal Reserve (Fed), o banco central americano. A confirmação ocorreu em votação apertada, com 54 votos a favor e 45 contra, refletindo a polarização política no país. Warsh, indicado pelo presidente Donald Trump, enfrentará o desafio de manter a independência da instituição em meio a pressões por cortes de juros e um cenário de inflação crescente.
A margem de aprovação foi a menor para um presidente do Fed em décadas, com apenas um senador democrata rompendo a linha partidária para votar a favor de Warsh. Tradicionalmente, as indicações para o Fed recebem apoio bipartidário, mas as preocupações com a influência de Trump e a alta da inflação, impulsionada pelo aumento dos preços do petróleo devido à recente escalada de tensões no Irã, moldaram o debate.
Warsh, que já foi diretor do Fed entre 2006 e 2011, afirmou em sabatina no Senado que atuará de forma independente. Contudo, sua proximidade com Trump e declarações recentes defendendo juros mais baixos geram dúvidas no mercado. A indicação ocorre em um momento sensível, com eleições legislativas de meio de mandato se aproximando e a inflação em seu maior patamar em três anos.
O Federal Reserve opera com autonomia em relação à Casa Branca, mas a pressão de Trump por cortes de juros tem sido uma constante. Seu antecessor, Jerome Powell, indicado pelo mesmo presidente, resistiu às pressões e chegou a ser alvo de ameaças de investigações criminais. Warsh, que já foi preterido por Trump para o cargo em 2017, agora assume a liderança em um contexto desafiador para a instituição.
A composição do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), responsável pela definição das taxas de juros, é majoritariamente composta por diretores do Fed e presidentes de bancos regionais, o que sugere que a política monetária não mudará drasticamente apenas com a troca de comando.