O Ministro da Fazenda, Dario Durigan, revelou detalhes da reunião entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, ocorrida em Washington. Durigan descreveu o encontro de três horas como uma conversa pautada por respeito mútuo e deferência, abordando temas cruciais como comércio bilateral, combate ao crime organizado internacional e exploração de minerais estratégicos.
Durigan relatou que Trump demonstrou surpresa com a trajetória de vida de Lula, incluindo sua infância humilde e a ausência de diploma universitário, apesar de ter expandido o acesso à educação superior em seus governos. O ex-presidente americano também reagiu com espanto ao saber que Lula recusou alternativas jurídicas durante seu período de prisão, buscando provar sua inocência integralmente. Segundo o ministro, ambos os presidentes se emocionaram ao discutir o período em que Lula esteve detido.
Na pauta econômica, o Brasil contestou a ideia de déficit comercial com os EUA. Durigan apresentou dados indicando que o Brasil compra volumes significativos de serviços, tecnologia e produtos americanos, argumentando que o país não deveria ser penalizado com tarifas como as impostas à China. "O Brasil não merece ser punido, o nosso dólar está indo para os Estados Unidos", afirmou.
A cooperação no combate ao crime organizado transnacional foi outro ponto central. Lula propôs ampliar o rastreamento de recursos financeiros de facções criminosas e a lavagem de dinheiro em paraísos fiscais. Durigan destacou que grande parte das armas ilegais apreendidas no Brasil tem origem nos EUA, e que drogas sintéticas são contrabandeados para o Brasil. Foi acordada a integração entre a Receita Federal brasileira e a aduana americana para compartilhamento de inteligência e rastreamento financeiro.
A exploração de minerais estratégicos, como nióbio e terras raras, essenciais para a transição energética, também foi discutida. Lula enfatizou a estratégia brasileira de garantir segurança jurídica para investimentos, priorizando a soberania e o incentivo à industrialização local, em contraposição a um modelo histórico de exportação de matéria-prima. O presidente brasileiro ressaltou a importância de defender o "Brasil em primeiro lugar", ecoando o lema de Trump.
Conflitos globais, como a guerra no Oriente Médio, e seus riscos econômicos para o Brasil também foram abordados. Durigan relatou a preocupação de Lula com os impactos geopolíticos dos conflitos internacionais.
Apesar das discussões estratégicas, o encontro foi marcado por momentos de descontração, conforme relatado por integrantes da comitiva. O ministro Durigan avaliou o ambiente cordial como um fator positivo para futuras negociações.