A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) expressou forte descontentamento com o fim da cobrança de impostos sobre compras internacionais de até US$ 50, decisão anunciada pelo presidente Lula e válida a partir de amanhã. Em nota oficial, a entidade classificou a medida como "extremamente equivocada", argumentando que ela cria desigualdade tributária em favor de plataformas estrangeiras em detrimento da indústria e do varejo nacional, além de ameaçar empregos.
Segundo a Abit, a isenção fiscal atinge diretamente a faixa de preço onde se concentram cerca de 80% das vendas do setor têxtil brasileiro. A associação destaca que empresas nacionais operam sob alta carga tributária, juros elevados e custos logísticos, enquanto concorrentes internacionais não enfrentam as mesmas barreiras. A indústria têxtil é um dos maiores empregadores do país, presente em mais de 60% dos municípios, com 80% dos postos de trabalho ocupados por mulheres.
A entidade alerta que o fim da "taxa das blusinhas", que gerou R$ 1,78 bilhão em receita nos primeiros quatro meses do ano, pode desestimular investimentos e reduzir a arrecadação federal. A Abit afirmou que seguirá atuando junto ao Congresso Nacional e autoridades competentes para defender a indústria, a concorrência justa e o desenvolvimento econômico sustentável.