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terça-feira, 20 de outubro de 2026

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ECONOMIA E TRABALHO

Ford: há um século, a revolução das 40 horas semanais

Há 100 anos, a Ford implementou a jornada de 40 horas semanais, uma decisão pioneira que mudou o cenário trabalhista nos EUA e influenciou o modelo de trabalho global. Entenda o contexto histórico e os desdobramentos dessa revolução.

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Ford: há um século, a revolução das 40 horas semanais

Há exatos 100 anos, em maio de 1926, a Ford rompeu um padrão ao implementar a jornada de 40 horas semanais em suas fábricas nos Estados Unidos. A decisão, tomada pela própria montadora, não só atendia a antigas demandas dos trabalhadores, mas também consolidou o modelo de trabalho 5x2 (cinco dias de trabalho e dois de descanso) no país, que viria a ser conhecido como 'fordismo'.

Até então, operários trabalhavam seis dias por semana. A medida da Ford visava atrair talentos, aumentar a produtividade com funcionários mais descansados e estimular o consumo através do tempo livre. Estima-se que, no início do século XX, a média de trabalho nos EUA fosse de 60 horas semanais.

A consolidação legal das 40 horas semanais ocorreu 14 anos depois, em 1940, com a alteração da Lei de Normas Justas de Trabalho (Fair Labor Standards Act) de 1938. A lei estabeleceu o limite de 40 horas, com pagamento adicional para horas extras.

A luta por redução de jornada era histórica. Após a guerra civil americana, movimentos de trabalhadores ganharam força, com o lema "oito horas para o trabalho, oito horas para o descanso, oito horas para o que quisermos". Essa reivindicação foi crucial para a formação de sindicatos e impulsionou greves importantes, influenciando a política trabalhista do país.

Henry Ford, apesar de sua hostilidade a sindicatos, implementou a jornada reduzida. Especialistas apontam que a medida também respondeu à escassez de mão de obra, devido à redução da imigração europeia, incentivando empresas a buscarem relações mais duradouras com os empregados e a considerarem a fadiga como fator de produtividade.

Atualmente, a média de jornada semanal nos EUA é de 34,3 horas. No Brasil, o governo discute o fim da escala 6x1 e a redução da jornada para 40 horas semanais, um debate que ecoa a mudança pioneira da Ford há um século.

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