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sábado, 17 de outubro de 2026

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ECONOMIA

Endividamento Cresce com Ofertas de Crédito e Consumo Impulsivo

Consumo impulsivo e ofertas de crédito fáceis levam brasileiros a um ciclo de endividamento. Especialistas alertam para a falta de educação financeira e o uso inadequado do crédito. 81,7 milhões de pessoas estão inadimplentes.

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Endividamento Cresce com Ofertas de Crédito e Consumo Impulsivo

Ofertas de parcelamento em compras rotineiras, como supermercado e farmácia, incentivam o endividamento crescente no Brasil. Especialistas alertam que o crédito, deveria ser usado para bens duráveis, tem sido empregado para cobrir despesas mensais, desorganizando o orçamento familiar.

A socióloga Adriana Marcolino, do Dieese, observa um aumento no uso do crediário para pagar contas básicas. Ela destaca o risco de o crédito se tornar um complemento de renda, em vez de um financiador de bens de maior valor.

A economista Katherine Hennings, da FGV, aponta a "ansiedade de consumo", estimulada por propagandas e influenciadores digitais, como um fator que leva as pessoas a anteciparem compras sem a devida análise financeira. "Falta explicação sobre os efeitos da ansiedade de comprar", afirma.

A consequência é o comprometimento financeiro, levando ao uso de opções de crédito mais caras, como cheque especial e rotativo do cartão. O economista Fabio Bentes, da CNC, ressalta a importância de o consumidor considerar os juros antes de parcelar compras.

Isabela Tavares, da Consultoria Tendências, lembra que o limite do cartão de crédito não é renda extra. "Quem ganha R$ 5 mil e tem um limite de R$ 5 mil não tem renda de R$ 10 mil", explica.

Especialistas como Tavares, Bentes e Hennings defendem maior educação financeira para orientar as decisões de gasto. Carlos Castro, planejador financeiro, desenvolveu ferramentas para auxiliar os consumidores, mas considera o programa Desenrola uma "medida de curto prazo".

O cenário é preocupante: 81,7 milhões de brasileiros estão inadimplentes, segundo a Serasa Experian. A maior parte das dívidas concentra-se em bancos e financeiras, afetando principalmente pessoas com renda de até dois salários mínimos, que recorrem a crédito mais caro por não terem acesso a opções mais vantajosas.

A situação evidencia a necessidade de soluções estruturais para evitar o endividamento recorrente da população, como aponta Marcolino, ao afirmar que "quanto maiores os juros, maior a parte que vai ficar para o banco".

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