Estratégias de consumo oferecidas em supermercados, farmácias e postos de gasolina, como o parcelamento sem juros, estão levando mais brasileiros a se endividarem. Sociólogos e economistas alertam que o crédito, antes usado para bens duráveis, agora financia despesas mensais, desorganizando o orçamento familiar.
A facilidade de acesso ao crédito, aliada a apelos de consumo via publicidade e influenciadores digitais, agrava a "ansiedade de consumo". Especialistas como Adriana Marcolino (Dieese) e Katherine Hennings (FGV) observam que consumidores antecipam gastos sem analisar a capacidade de pagamento, utilizando opções como cheque especial e rotativo do cartão, que possuem juros elevados.
Fabio Bentes (CNC) destaca que o brasileiro compara preços de produtos, mas não o custo real do financiamento. Isabela Tavares (Consultoria Tendências) reforça que limites de crédito não equivalem a renda extra, e o planejamento financeiro é crucial para evitar o endividamento. Carlos Castro, criador da plataforma SuperRico, defende educação financeira como solução estrutural.
Dados do Banco Central indicam R$ 238,5 bilhões em inadimplência familiar em março. A Serasa Experian aponta 81,7 milhões de brasileiros endividados, sendo que 78% dos devedores recebem até dois salários mínimos. Pessoas com menor poder aquisitivo recorrem a crédito mais caro por não terem acesso a opções como o consignado, drenando a renda para o sistema financeiro.