A facilidade de parcelar compras em supermercados, farmácias e postos de gasolina tem levado muitos consumidores a comprometerem o orçamento mensal com despesas corriqueiras. Especialistas alertam que o crédito, que deveria ser usado para bens duráveis, tem se tornado um complemento de renda, aumentando o risco de desorganização financeira.
A "ansiedade de consumo", estimulada por propagandas e influenciadores digitais, leva à antecipação de gastos. Economistas ressaltam que o acesso facilitado ao crédito, sem a devida atenção aos juros e ao impacto no orçamento, pode resultar em dívidas mais caras, como cheque especial e rotativo do cartão.
A falta de educação financeira agrava o problema. Muitos brasileiros não calculam o custo real do parcelamento e encaram o limite do cartão de crédito como uma extensão da renda, o que é um erro, segundo especialistas. A renda mensal deve ser suficiente para cobrir os gastos do cartão.
O cenário de endividamento é alarmante: 81,7 milhões de brasileiros estão inadimplentes, segundo a Serasa Experian. A maioria das dívidas se concentra em bancos e financeiras, e 78% dos devedores ganham até dois salários mínimos. Pessoas com menor renda têm acesso a crédito mais caro, como empréstimos não consignados e cheque especial, por terem notas de crédito mais baixas.
A situação drena a renda do trabalhador para o sistema financeiro. Especialistas defendem políticas públicas e educação financeira para que os consumidores tomem decisões mais conscientes sobre seus gastos e evitem o ciclo vicioso do endividamento.