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sábado, 17 de outubro de 2026

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ECONOMIA

BC precisa de vigilância extra com inflação, alerta Galípolo

Presidente do BC, Gabriel Galípolo, pede atenção redobrada aos efeitos secundários de choques de oferta na inflação, citando guerra no Oriente Médio e economia doméstica com expectativas desancoradas.

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BC precisa de vigilância extra com inflação, alerta Galípolo

O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, destacou a necessidade de a autoridade monetária permanecer "ainda mais vigilante" aos efeitos de "segunda ordem" de choques de oferta na inflação, como os decorrentes de conflitos geopolíticos, a exemplo da guerra no Oriente Médio, que impacta os preços do petróleo.

Esses efeitos secundários ocorrem quando a alta inicial de um produto se dissemina para outros bens e serviços, prolongando o impacto inflacionário e exigindo uma política monetária mais restritiva.

Galípolo ressaltou que a economia brasileira, com expectativas de inflação distantes da meta de 3,0% e um mercado de trabalho aquecido, está mais suscetível a esse repasse generalizado de preços.

"Separar o que é efetivamente um processo de choque de oferta [...] dos efeitos de segunda ordem [...] não é uma abordagem simples", admitiu Galípolo na abertura da Conferência Anual do BC, em Brasília. Ele assegurou, contudo, que o BC manterá seu compromisso com o controle da inflação.

O BC tem demonstrado cautela na condução da política de juros, considerando a incerteza sobre a duração do conflito no Oriente Médio e seus reflexos na inflação doméstica. A ata do último Copom, em abril, já indicava uma preocupação com a desaceleração econômica mais lenta que o esperado, um fator crucial para o controle inflacionário.

Galípolo também apontou que a sucessão de quatro choques de oferta em seis anos (pandemia, guerra na Ucrânia, tarifaço e conflito no Oriente Médio) questiona a credibilidade dos bancos centrais. Ele explicou que, embora os BCs foquem em metas de inflação, a população sente o aumento generalizado do custo de vida.

"Estamos passando pelo quarto choque de oferta em menos de seis anos. Choques de oferta colocam os BC diante de um desafio que é bem grande", afirmou, comparando a situação a um barco desenhado para "outro tipo de tempestade".

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