A pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (13) traz alívio ao entorno do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Dias após a operação da Polícia Federal contra o senador Ciro Nogueira (PI), presidente do PP, aliados de Flávio avaliam que o episódio teve impacto limitado nas intenções de voto.
Ciro Nogueira, apesar de não ter aliança formal com o PL, é um nome importante na oposição e foi ministro da Casa Civil no governo de Jair Bolsonaro. Internamente, a avaliação é que a operação gerou "ruído" na articulação com a federação União-PP, mas não afetou a construção da candidatura presidencial do PL.
O principal dado explorado é a manutenção do empate técnico entre Flávio e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em um cenário de segundo turno. Lula aparece com 42% das intenções de voto, contra 41% de Flávio, ambos dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Na rodada anterior, Flávio tinha 42% e Lula, 40%.
Auxiliares de Flávio expressaram preocupação de que a operação pudesse desgastar o campo da direita, especialmente com tentativas de vincular o caso Master ao grupo político de Ciro e usá-lo eleitoralmente contra o PL. A leitura atual é que o governo aliviou a pressão sobre Lula, mas sem obter vantagem eleitoral consistente.
O núcleo político de Flávio atribui a oscilação favorável a Lula à melhora na avaliação de seu governo. A aprovação de Lula subiu de 43% para 46%, enquanto a desaprovação caiu de 52% para 49%. Aliados creditam esse avanço ao relançamento do Desenrola e à repercussão positiva do encontro de Lula com o presidente dos EUA, Donald Trump.
O senador Rogério Marinho (coordenador político de Flávio) afirmou: "Não gosto de comentar pesquisa, mas o que vejo é uma rejeição cristalizada a Lula. O resto é margem para cima e para baixo. Nós temos um candidato muito competitivo e estamos animados com o resultado".
O ex-ministro da Saúde Marcelo Queiroga, aliado de Flávio, acusou o PT de tentar transferir o desgaste das investigações do Banco Master para o bolsonarismo. "Flávio não tem nada a ver com as questões pessoais do Ciro e vamos dar a presunção de inocência a ele", declarou.
Flávio Bolsonaro buscou se distanciar do caso Ciro Nogueira. Após a operação da PF, divulgou nota classificando as informações como "graves" e defendendo "ampla apuração". A manobra foi interpretada como tentativa de evitar desgaste sem romper com o União-PP, mas gerou incômodo em setores do Centrão e aliados de Ciro.
Fonte: O Globo