A Audi apresentou o Auto Union Lucca, carro icônico dos anos 1930, que reeditou o feito histórico de velocidade na cidade italiana de Lucca. Em 15 de fevereiro de 1935, o piloto Hans Stuck atingiu 320,267 km/h em uma milha lançada e 326,975 km/h de máxima, estabelecendo o recorde de carro de corrida de estrada mais rápido do mundo.
O desenvolvimento do Lucca ocorreu durante a intensa rivalidade tecnológica entre Audi e Mercedes. Enquanto a Mercedes usava motores dianteiros, a Auto Union inovou com um motor central, antecipando uma tendência em carros de competição. A resposta da Auto Union ao recorde da Mercedes na Hungria foi um carro radical, testado em túnel de vento e aprimorado aerodinamicamente.
Com motor V16 de quase cinco litros e 343 cavalos (posteriormente superando 375 cv), o carro se destacou pela carroceria aerodinâmica com barbatana traseira, apelidada de “Rennlimousine”. Após testes em Berlim, a tentativa de recorde na Hungria foi frustrada pelo clima. A equipe buscou na Itália um trecho de estrada entre Pescia e Altopascio, próximo a Lucca, ideal para a façanha.
Em 15 de fevereiro de 1935, diante de milhares de curiosos, Stuck alcançou a marca histórica. A conquista foi celebrada pela imprensa e pela Auto Union, que apresentou uma versão similar do carro em Berlim, reforçando sua superioridade.
A reconstrução moderna do Auto Union Lucca, realizada pela britânica Crosthwaite & Gardiner, levou mais de três anos. O trabalho minucioso utilizou fotografias e documentos originais, com componentes produzidos artesanalmente. O modelo recriado, concluído em 2026, passou por testes em túnel de vento e incorporou soluções técnicas atualizadas.
Após a estreia em Lucca, o carro participará do Festival de Velocidade de Goodwood, no Reino Unido. O retorno do Auto Union Lucca celebra uma das máquinas mais extremas da Auto Union e um símbolo da engenharia alemã entre guerras.