A Audi apresentou ao público o Auto Union Lucca, um dos carros mais raros de sua história. O modelo foi criado nos anos 1930 para competir em recordes de velocidade contra a Mercedes. A apresentação ocorreu em Lucca, na Itália, cidade onde o feito histórico aconteceu em 15 de fevereiro de 1935. Na ocasião, o piloto Hans Stuck atingiu a média de 320,267 km/h em uma milha lançada e o pico de 326,975 km/h, tornando o carro o mais rápido do mundo naquele momento.
O desenvolvimento do Lucca ocorreu em um período de intensa rivalidade tecnológica entre as fabricantes alemãs. A Auto Union, formada pela união de Audi, DKW, Horch e Wanderer, investiu em um carro com motor central, enquanto a Mercedes utilizava motores dianteiros. A disputa se intensificou após a Mercedes registrar um recorde em outubro de 1934.
Em resposta, engenheiros da Auto Union criaram um carro radical focado em velocidade máxima. Utilizando testes em túnel de vento e soluções aerodinâmicas ousadas, como uma carroceria fechada e uma barbatana traseira, o carro ganhou o apelido de “Rennlimousine” (limusine de corrida).
Equipado com um motor V16 de quase cinco litros e 343 cavalos (posteriormente ultrapassando 375 cv), o carro foi finalizado no fim de 1934. Após testes iniciais, a equipe buscou um trecho de estrada na Itália ideal para os recordes.
Os testes começaram em 14 de fevereiro de 1935. No dia seguinte, Hans Stuck alcançou a marca histórica. A conquista foi amplamente divulgada pela imprensa, e a Auto Union apresentou uma versão quase idêntica do carro no Salão do Automóvel de Berlim.
A reconstrução moderna do Auto Union Lucca levou mais de três anos, realizada pela empresa britânica Crosthwaite & Gardiner. Utilizando fotografias e documentos originais, todos os componentes foram produzidos artesanalmente. A recriação foi concluída no início de 2026 e passou por novos testes aerodinâmicos. O carro utiliza um motor V16 original e soluções técnicas aprimoradas.
Após a estreia em Lucca, o modelo será exibido no Festival de Velocidade de Goodwood, no Reino Unido. O retorno do carro celebra uma das máquinas mais extremas da Auto Union e um símbolo da engenharia alemã entre guerras.
Fonte: O Globo