O Google apresentou nesta terça-feira (12) o Android 17, marcando o início de uma nova era para sistemas operacionais focados em agentes de inteligência artificial (IA). A principal novidade é a integração do Gemini ao sistema, batizada de "Gemini Intelligence", que permitirá ao dispositivo realizar um número maior de ações autônomas.
Dieter Bohn, diretor de operações do Google, afirmou que esta é a atualização mais significativa para o Android desde o início de seu trabalho na empresa. "Estamos mudando o Android de um sistema operacional para um sistema inteligente que aprende e trabalha para você", declarou.
Diferente dos chatbots anteriores, o sistema agora executará tarefas como organizar pedidos em aplicativos de entrega ou reservar horários em academias. Essa capacidade de realizar ações complexas entre diferentes aplicativos é uma característica central dos agentes de IA, um conceito que ganhou força em 2024 e se destacou com projetos como OpenClaw e Manus AI.
O Android 17 será o primeiro sistema operacional com agentes de IA embarcados a ser demonstrado publicamente. Ele poderá preencher formulários automaticamente e processar informações a partir de texto, imagens e áudio (multimodalidade).
As automações serão restritas a aplicativos designados pelo usuário, com configurações personalizáveis. A Samsung já havia antecipado essa tendência em fevereiro com o Galaxy S26 Ultra, que trouxe agentes próprios e do Google. O Google afirma ter aprimorado esses recursos desde então.
Os primeiros modelos a receber o Gemini Intelligence serão as linhas Galaxy S26 e Google Pixel, a partir de junho no mercado americano. A estratégia prioriza hardware potente, com expansão posterior para outras marcas e modelos ainda não divulgados.
O navegador Chrome para Android também será turbinado pelo Gemini 3.1, compreendendo o conteúdo das páginas e executando tarefas na web. Um ícone do Gemini na barra de ferramentas permitirá interações diretas, como perguntas sobre o site, resumos de artigos e explicações de tópicos complexos, com respostas personalizadas aos interesses do usuário.
O recurso "auto browse" automatizará tarefas rotineiras, como atualizar pedidos em sites de compras. Para utilizá-lo, será necessário assinar os planos AI Pro (R$ 97/mês) ou Ultra (R$ 1.210/mês) e ter o idioma do celular configurado para inglês. O lançamento está previsto para o final de junho de 2026 para Android 12 ou superior com 4 GB de RAM.
O Gemini no Android 17 aprimora o reconhecimento de voz com o recurso Rambler, que entenderá comandos com hesitações e correções, permitindo uma comunicação mais natural. Ele também é multilíngue e mantém o contexto ao alternar entre idiomas.
Visualmente, o Android 17 adota a linguagem Material 3 Expressive, com foco na redução de distrações. A interface indicará visualmente quando o Gemini estiver ativo. O recurso "Create My Widget" permitirá a criação de widgets personalizados por meio de linguagem natural.
Para influenciadores, o Android 17 trará ferramentas nativas em parceria com a Meta para integração com o Instagram. Dispositivos avançados terão captura e reprodução em Ultra HDR, estabilização de vídeo nativa e modo noturno integrados ao app.
O Instagram para Android receberá "Smart Enhance" para melhorar fotos e vídeos borrados, e "Sound Separation" para mixagem de áudio. O recurso "Screen Reactions" permitirá a criação de vídeos de reação gravando simultaneamente a tela e a câmera frontal, estreando nos celulares Pixel.
Os emojis do sistema foram reformulados para serem mais "vivos, ricos e verdadeiros", com os 4 mil emojis recriados. Inicialmente disponíveis nos celulares Pixel, serão expandidos para outros modelos ao longo do ano.
Para combater o vício em telas, o "Pause Point" introduzirá uma pausa de 10 segundos antes de abrir aplicativos considerados distrativos, incentivando a reflexão do usuário. A desativação exigirá a reinicialização do smartphone.
O Android 17 também facilitará a transferência de arquivos entre Android e iPhone com a compatibilidade do Quick Share com o AirDrop. Para dispositivos sem hardware compatível, o Quick Share gerará um QR Code para download via nuvem. Essa funcionalidade será estendida a aplicativos como o WhatsApp.
Fonte: O Globo