O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou nesta segunda-feira (12/05/2026) que a interdição de lotes de produtos da Ypê pela Anvisa foi uma decisão técnica. Padilha rebateu críticas de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, que acusaram a agência de perseguição política, e destacou a participação de órgãos ligados ao governo de São Paulo e de um diretor indicado na gestão Bolsonaro no processo.
Padilha reagiu à campanha nas redes sociais contra a Anvisa, classificando-a como uma tentativa de politizar uma questão sanitária. "Temos uma enxurrada de vídeos irresponsáveis que desinformam a população. A Anvisa não tem lado partidário. Tem apenas um lado: a proteção da saúde das famílias brasileiras", declarou.
A Anvisa determinou na última quarta-feira (07/05/2026) o recolhimento de lotes de detergentes, lava-roupas e desinfetantes produzidos na fábrica da Ypê em Amparo (SP), após inspeção constatar problemas estruturais e risco de contaminação. A medida afetou produtos com final de lote "1" e suspendeu temporariamente a fabricação.
O ministro ressaltou que a fiscalização, iniciada há meses, contou com técnicos da Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo e da Vigilância Municipal de Amparo, além de órgãos federais. Ele mencionou Daniel Meirelles Fernandes Pereira, diretor da área técnica da Anvisa indicado durante o governo Bolsonaro, como participante do processo.
Padilha lembrou que a própria Ypê já havia identificado a bactéria Pseudomonas aeruginosa em lotes anteriores, um sinal de alerta para falhas no processo produtivo. O caso, segundo ele, era acompanhado há mais de um ano, com inspeções recorrentes e exigências de adequação à empresa.
Apoadores de Bolsonaro reagiram com vídeos e postagens ironizando a decisão da Anvisa, mas a Ypê conseguiu suspender temporariamente a interdição após recurso. Uma nova análise da diretoria colegiada da agência está prevista para esta quarta-feira (14/05/2026).