O governo de São Paulo aplicou uma multa recorde de R$ 1,04 bilhão à rede Fast Shop. A Controladoria Geral do Estado (CGE-SP) apurou que a empresa ofereceu vantagens indevidas a agente público, obteve benefícios tributários ilegais e interferiu em fiscalizações. A penalidade é a maior do país baseada na Lei Anticorrupção e corresponde aos valores obtidos ilicitamente pela varejista.
Investigações apontaram que a Fast Shop contratou a Smart Tax Consultoria para recuperar créditos tributários de ICMS. A empresa sabia que informações privilegiadas estavam sendo usadas indevidamente, com o apoio do certificado digital da própria varejista. O esquema prometia facilitação de processos, blindagem contra fiscalizações e intermediação de operações com créditos tributários.
A Fast Shop obteve créditos tributários indevidos de R$ 1,04 bilhão, conforme apuração do governo. O valor foi calculado a partir de dados obtidos de forma ilícita, gerando prejuízo ao Tesouro do Estado. A multa foi equiparada ao total da fraude.
A ação é resultado da Operação Ícaro, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) em agosto de 2025. Em setembro do mesmo ano, o MPSP homologou acordo com dois sócios e o diretor estatutário da empresa, que pagarão R$ 100 milhões em prestação pecuniária penal.
O MPSP informou que sugeriu ao governo estadual aprimoramentos nos procedimentos de ressarcimento de ICMS para prevenir riscos de corrupção.