Uma onda de desinformação sobre o Projeto de Lei da Misoginia tomou conta das redes sociais. Políticos de direita e influenciadores disseminaram narrativas falsas e teorias conspiratórias para atacar o PL, aprovado pelo Senado em março. O estudo do Observatório Lupa, que analisou mais de 289 mil publicações no X (antigo Twitter) e outras plataformas, identificou o uso de inteligência artificial para criar vídeos falsos sobre as supostas consequências da proposta.
O principal pico de desinformação ocorreu em 25 de março, um dia após a aprovação do PL no Senado. Um vídeo do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) associou o PL da Misoginia a outro projeto de lei, gerando 751 mil visualizações em 24 horas. O vídeo foi posteriormente apagado e republicado sem a associação indevida.
As narrativas falsas mais disseminadas alegavam que o projeto restringiria a liberdade de expressão, que perguntar sobre TPM poderia levar à prisão, que a proposta provocaria demissões em massa de mulheres ou criminalizaria trechos da Bíblia. Conteúdos falsos com IA sugeriam que empresários já estariam demitindo mulheres para evitar processos.
Entre os influenciadores na circulação desses conteúdos estão o senador Flávio Bolsonaro (PL), o comentarista Caio Coppola e a influenciadora Babi Mendes. O relatório aponta o crescimento de termos associados à cultura misógina "redpill", que retrata o projeto como uma ameaça aos homens.
Os pesquisadores destacam que as postagens ignoram o ponto central do projeto: a misoginia, no escopo da proposta, está relacionada a práticas discriminatórias que gerem "constrangimento, humilhação, medo ou exposição indevida" em razão do gênero. Ao distorcer o debate, a desinformação amplia o alcance de informações falsas.