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quarta-feira, 21 de outubro de 2026

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POLÍTICA

Desinformação sobre PL da Misoginia viraliza nas redes

Estudo do Observatório Lupa aponta que políticos de direita e influenciadores usaram fake news e IA para atacar o PL da Misoginia. Narrativas falsas circularam nas redes sociais, gerando medo e distorcendo o debate sobre a proposta.

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Desinformação sobre PL da Misoginia viraliza nas redes

Políticos de direita e influenciadores digitais têm orquestrado uma onda de desinformação sobre o Projeto de Lei da Misoginia (PL 896/2023) nas redes sociais. Um estudo do Observatório Lupa revelou que narrativas falsas, teorias conspiratórias e conteúdos criados por inteligência artificial foram utilizados para atacar a proposta, aprovada pelo Senado em março deste ano.

Entre 24 de março e 30 de abril de 2026, mais de 289 mil publicações no X, 6,3 mil no Facebook, 2,9 mil no Instagram e mil no Threads foram analisadas. O levantamento identificou picos de desinformação e padrões de comportamento nas plataformas digitais.

O principal pico de engajamento da campanha ocorreu em 25 de março, impulsionado por um vídeo do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). Ele associou o PL da Misoginia a trechos de outro projeto de lei, o que gerou ao menos 751 mil visualizações em 24 horas. O vídeo foi posteriormente apagado e republicado sem a associação indevida.

As narrativas falsas mais disseminadas alegavam que o projeto restringiria a liberdade de expressão, seria usado para perseguir a direita ou levaria à prisão quem perguntasse a uma mulher sobre TPM. Conteúdos também sugeriam que a proposta provocaria demissões em massa de mulheres ou criminalizaria trechos da Bíblia.

O estudo aponta o uso de inteligência artificial para criar vídeos falsos sobre supostas consequências da proposta. Um exemplo citado envolve publicações alegando que empresários demitiriam mulheres para evitar processos futuros.

Entre os influenciadores na disseminação das fake news estão o senador Flávio Bolsonaro (PL), o vereador Lucas Pavanato (PL), o comentarista Caio Coppola e a influenciadora Babi Mendes. Termos como "redpill", associados à cultura misógina, também cresceram, retratando o projeto como uma ameaça aos homens.

O estudo enfatiza que as postagens distorcem o debate ao ignorar que o projeto define misoginia como práticas discriminatórias que geram constrangimento, humilhação, medo ou exposição indevida em razão do gênero.

Fonte: Agência Brasil

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