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quarta-feira, 21 de outubro de 2026

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POLÍTICA

Desinformação sobre PL da Misoginia toma redes sociais

Estudo do Observatório Lupa revela campanha coordenada de desinformação contra o PL da Misoginia, utilizando narrativas falsas, teorias conspiratórias e IA. Projeto de lei define misoginia e prevê punições, mas enfrenta onda de boatos nas redes sociais.

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Desinformação sobre PL da Misoginia toma redes sociais

Uma onda de desinformação sobre o Projeto de Lei 896/2023, conhecido como PL da Misoginia, tem se espalhado pelas redes sociais. Políticos de direita estariam coordenando a disseminação de narrativas falsas, teorias conspiratórias e conteúdos criados por inteligência artificial para atacar o projeto, aprovado pelo Senado em março.

Um levantamento do Observatório Lupa analisou mais de 289 mil publicações no X, 6,3 mil no Facebook, 2,9 mil no Instagram e mil no Threads entre 24 de março e 30 de abril de 2026. O estudo identificou picos de desinformação e padrões de comportamento nas plataformas.

O PL 896/2023 define misoginia como a conduta que expressa ódio ou aversão às mulheres. Se aprovado pela Câmara sem alterações, o texto incluirá a "condição de mulher" na Lei do Racismo (Lei 7.716/1989), prevendo pena de dois a cinco anos de prisão e multa.

O principal pico de engajamento da campanha de desinformação ocorreu em 25 de março, um dia após a aprovação no Senado. Um vídeo do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) associou o PL da Misoginia a trechos de outro projeto, o PL 4224/2024, que tratava da Política Nacional de Combate à Misoginia, mas não fazia parte do texto aprovado. O vídeo alcançou ao menos 751 mil visualizações em 24 horas antes de ser editado.

Entre as narrativas falsas disseminadas estão a de que o projeto restringe a liberdade de expressão, persegue a direita, criminaliza perguntas sobre TPM ou leva a demissões em massa de mulheres. Conteúdos com IA sugeriram que empresários demitiriam mulheres para evitar processos futuros.

Atores influentes na circulação desses conteúdos incluem Nikolas Ferreira, o senador Flávio Bolsonaro (PL), o vereador Lucas Pavanato (PL), o comentarista Caio Coppola e a influenciadora Babi Mendes. Termos associados à cultura misógina "redpill" e menções irônicas a aplicativos de transporte também foram identificados.

Os pesquisadores ressaltam que as postagens ignoram o cerne do projeto: a misoginia, no escopo da proposta, está ligada a práticas discriminatórias que causam constrangimento, humilhação, medo ou exposição indevida em razão do gênero. A desinformação distorce o debate público.

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