O Projeto de Lei da Misoginia (PL 896/2023) tornou-se alvo de uma intensa campanha de desinformação nas redes sociais, orquestrada por políticos de direita, segundo revela um estudo do Observatório Lupa. O levantamento, que analisou mais de 289 mil publicações no X (antigo Twitter), 6,3 mil no Facebook, 2,9 mil no Instagram e mil no Threads entre 24 de março e 30 de abril de 2026, identificou narrativas falsas, teorias conspiratórias e o uso de inteligência artificial para atacar o texto aprovado pelo Senado em março. O principal pico de desinformação ocorreu em 25 de março, impulsionado por um vídeo do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que associou indevidamente o PL da Misoginia a outro projeto de lei. O vídeo, que alcançou 751 mil visualizações em 24 horas, foi posteriormente editado. Uma das principais narrativas falsas disseminadas foi a de que o projeto restringiria a liberdade de expressão e poderia ser usado para perseguir a direita, além de supostas criminalizações de situações cotidianas, como perguntar a uma mulher sobre TPM. O estudo aponta que o medo é o principal motor de engajamento dessas publicações. Conteúdos falsos também sugeriram demissões em massa de mulheres ou a criminalização de trechos da Bíblia. A pesquisa identificou o uso de IA para criar vídeos falsos sobre as consequências da proposta, como empresários demitindo mulheres para evitar processos. Atores influentes na disseminação incluem, além de Nikolas Ferreira, o senador Flávio Bolsonaro (PL), o vereador Lucas Pavanato (PL), o comentarista Caio Coppola e a influenciadora Babi Mendes. O relatório destaca o crescimento de termos associados à cultura misógina "redpill". Os pesquisadores ressaltam que as postagens distorcem o debate ao ignorar que o projeto, no seu escopo, trata de práticas discriminatórias que geram constrangimento, humilhação, medo ou exposição indevida em razão do gênero.
POLÍTICA
Campanha de desinformação sobre PL da Misoginia viraliza nas redes
Estudo do Observatório Lupa aponta que políticos de direita e influenciadores usaram narrativas falsas e IA para atacar o PL da Misoginia, aprovado em março.