A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) se reúne nesta quarta-feira para definir se mantém a suspensão da produção de parte dos produtos da Ypê na fábrica de Amparo, no interior de São Paulo. A decisão ocorrerá após a empresa apresentar recurso contra a interdição.
A Ypê teve 25 produtos das linhas de detergentes, sabão em pó e desinfetantes suspensos pela Anvisa e pela Vigilância Sanitária de São Paulo na última quinta-feira. A empresa recorreu da medida, o que suspendeu os efeitos da decisão até a avaliação do colegiado. Mesmo assim, a Ypê optou por interromper a produção na unidade para agilizar o cumprimento das exigências sanitárias.
A interdição ocorreu após fiscalizações que apontaram resultados fora de especificação microbiológica entre dezembro de 2025 e abril de 2026, incluindo a presença da bactéria *Pseudomonas aeruginosa* em 80 lotes de produtos acabados. Estes lotes não foram reprovados pelo controle de qualidade e estavam armazenados aguardando definição.
A Anvisa recomenda que consumidores não utilizem os produtos afetados, cujos lotes terminam com o número 1. A lista inclui itens de lava-louças, lava-roupas líquidos e desinfetantes de diversas marcas da Ypê.
A empresa informou ter reforçado seu Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) e que pretende concluir novas etapas do plano de ação para adequação sanitária da unidade industrial.
A fábrica de Amparo já havia sido alvo de alertas sanitários em novembro de 2025, quando fiscais identificaram a bactéria *Pseudomonas aeruginosa* e falhas nas boas práticas de fabricação, incluindo problemas de higiene e limpeza. Na ocasião, a Ypê realizou um recall voluntário de lotes específicos.
Uma nova inspeção entre abril e maio deste ano revelou reincidência nos problemas de higiene e limpeza, levando à interrupção da linha de produção com capacidade anual para fabricar 23 mil toneladas de detergente e 33 mil toneladas de lava-roupas líquido.
A empresa reitera seu compromisso com a qualidade e segurança, buscando uma solução junto aos órgãos reguladores com base em critérios científicos.
Fonte: O Globo