O senador Ciro Nogueira (PP-PI) está sob investigação da Polícia Federal por suposto recebimento de vantagens indevidas em troca de ações parlamentares em favor do banqueiro Daniel Vorcaro. A investigação, que apura a ligação entre Nogueira e o banco Master, aponta indícios robustos de que o senador teria usado seu mandato para beneficiar o empresário.
Segundo a PF, Ciro Nogueira teria recebido vantagens que incluiriam a compra superfaturada de participação em uma empresa de Vorcaro, pagamentos mensais vultuosos, hospedagem em hotéis de luxo e o uso gratuito de imóveis. Em contrapartida, o senador é acusado de ter articulado no Congresso Nacional projetos de lei que visavam salvar o banco Master de uma grave crise de liquidez.
Diálogos extraídos do celular de Daniel Vorcaro e documentos apreendidos compõem parte das evidências. Em uma das conversas, Vorcaro teria dito a Nogueira: "Saiu exatamente como mandei". Outros diálogos indicam o pagamento de despesas pessoais do senador e de sua esposa, Flávia Nogueira, e o repasse de valores para uma empresa ligada a Nogueira.
A investigação, desdobramento da Operação Compliance Zero, sugere que a atuação de Ciro Nogueira como ministro-chefe da Casa Civil na gestão de Jair Bolsonaro pode ter sido influenciada por essas supostas vantagens. O senador já havia recebido elogios de Flávio Bolsonaro, que o descreveu como um nome com "todas as credenciais" para compor uma chapa presidencial.
As provas reunidas pela Polícia Federal levaram o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), a autorizar buscas e apreensões nos endereços do senador. O caso agora tramita no STF, dada a prerrogativa de foro de Nogueira.
A investigação pode ter desdobramentos significativos para o cenário político, especialmente para a direita. A possível delação premiada de Daniel Vorcaro, caso homologada, pode trazer novas revelações.