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quarta-feira, 21 de outubro de 2026

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POLÍTICA

Ciro Nogueira sob investigação por suspeita de vantagens indevidas

Senador Ciro Nogueira é investigado pela Polícia Federal por suspeita de receber vantagens indevidas em troca de beneficiar o banqueiro Daniel Vorcaro com projetos de lei. Apurações incluem pagamentos, imóveis e participações em empresas.

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Ciro Nogueira sob investigação por suspeita de vantagens indevidas

O senador Ciro Nogueira (PP-PI) está no centro de uma investigação da Polícia Federal que apura suspeitas de recebimento de vantagens indevidas enquanto era Ministro-Chefe da Casa Civil no governo de Jair Bolsonaro. As apurações indicam que Nogueira teria usado seu mandato para beneficiar o banqueiro Daniel Vorcaro em troca de benefícios.

Indícios retirados do celular de Daniel Vorcaro sugerem que Ciro Nogueira teria recebido vantagens para aprovar um projeto de lei que beneficiaria o banco Master, de Vorcaro, em crise de liquidez. O projeto visava aumentar a garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão, ampliando a capacidade de captação do banco.

Segundo a investigação, Ciro Nogueira teria aceitado receber um texto de lei redigido por Vorcaro, com a confirmação do banqueiro de que o projeto foi aprovado conforme solicitado: “Saiu exatamente como mandei”. O deputado Filipe Barros (PL-PR) também apresentou um projeto com teor semelhante.

A investigação, parte da quinta fase da Operação Compliance Zero, aponta que a relação entre Nogueira e Vorcaro envolvia diversas vantagens. A Polícia Federal suspeita que o senador comprou uma participação em uma empresa de Vorcaro por R$ 1 milhão, quando o valor seria de R$ 13 milhões. Além disso, teriam ocorrido pagamentos mensais de R$ 300 mil a R$ 500 mil, hospedagens pagas em hotéis de luxo em Nova York, uso de imóvel de alto padrão e transações financeiras com empresas ligadas ao banqueiro.

Diálogos encontrados no celular de Vorcaro reforçam as suspeitas. Em uma das conversas, um operador questiona se as despesas de restaurantes de Ciro e Flávia continuariam sendo pagas até o sábado, e Vorcaro responde afirmativamente, pedindo para que o cartão fosse levado a St. Barth's. Em outro diálogo, discute-se o envio de R$ 300 mil ou R$ 500 mil para pessoas que investiram na BRGD, empresa na qual Ciro Nogueira adquiriu participação.

As investigações, autorizadas pelo ministro André Mendonça do Supremo Tribunal Federal (STF), que cuida do caso devido ao foro privilegiado do senador, indicam que Ciro Nogueira tem muitas explicações a dar. A atuação do senador em benefício do banqueiro é descrita como a “instrumentalização do seu mandato parlamentar”.

A investigação pode ter impacto significativo na extrema direita e levanta dúvidas sobre a homologação da delação premiada de Vorcaro, que, segundo fontes, ainda não apresentou informações produtivas para o processo.

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