A Polícia Federal deflagrou a 5ª fase da Operação Compliance Zero, que aponta um esquema de corrupção envolvendo o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O senador é acusado de apresentar uma emenda que ampliava o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão, conhecida como Emenda Master. Segundo a PF, a emenda foi redigida por assessores do Banco Master e entregue ao senador em troca de pagamentos mensais e benefícios.
A proposta, que visava aumentar a garantia do FGC, foi rejeitada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado por inconstitucionalidade e inadequação técnica. Especialistas alertam que a aprovação da emenda poderia comprometer a estabilidade do sistema financeiro, aumentar tarifas bancárias e incentivar comportamentos de risco por parte das instituições financeiras.
O FGC, criado em 1995, protege depositantes e investidores de bancos em processo de liquidação ou intervenção. Em 2025, o fundo teve que desembolsar R$ 57,4 bilhões para cobrir prejuízos de clientes do conglomerado Master, o que representou quase metade de suas reservas. Economistas ouvidos pela reportagem afirmam que a aprovação da emenda poderia ter levado o FGC ao colapso.
Em nota divulgada por seus advogados, o senador Ciro Nogueira negou participação em atividades ilícitas e afirmou que colaborará com a Justiça para esclarecer os fatos. A defesa considera as medidas investigativas precipitadas e passíveis de revisão pelas instâncias superiores.