A Polícia Federal (PF) deflagrou a 5ª fase da Operação Compliance Zero, expondo a fragilidade do sistema financeiro nacional. A operação investiga se o senador Ciro Nogueira (PP-PI) recebeu entre R$ 300 mil e R$ 500 mil mensais, além de benefícios como viagens internacionais, para apresentar uma emenda que ampliaria a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. A emenda, apelidada de "Emenda Master", teria sido elaborada por assessores do Banco Master, do banqueiro Daniel Vorcaro, e entregue ao senador.
A proposta de Nogueira foi rejeitada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado por inconstitucionalidade e inadequação técnica. O relator da PEC, senador Plínio Valério (PSDB-AM), argumentou que a emenda contraria o modelo de proteção financeira e engessa a legislação. O FGC, criado em 1995, garante depósitos de até R$ 250 mil por CPF em caso de intervenção ou liquidação de instituições financeiras. Em 2025, o fundo precisou desembolsar R$ 40,6 bilhões para cobrir perdas do conglomerado Master, e R$ 57,4 bilhões no total, com liquidações de outras financeiras.
Economistas alertam que o aumento do limite do FGC poderia encarecer tarifas bancárias e juros de empréstimos, além de incentivar o chamado "risco moral" – instituições financeiras oferecendo lucros altos com falsa sensação de segurança. William Baghdassarian, professor do Ibmec, prevê um "efeito dominó" no sistema financeiro. Cesar Bergo, professor da UnB, concorda, afirmando que o limite atual já foi insuficiente para cobrir prejuízos e que o novo limite poderia levar o sistema ao colapso. Bergo destaca que o limite de R$ 250 mil funcionou como barreira contra a agressividade do Master. A assessoria do senador Ciro Nogueira não respondeu aos questionamentos da reportagem. Os advogados de Nogueira emitiram nota afirmando que ele colaborará com a Justiça para esclarecer que não participou de atividades ilícitas.