O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (8) que a relação com os Estados Unidos está aberta a qualquer pauta de interesse mútuo, sem restrições. A declaração ocorreu durante evento em Brasília, um dia após seu encontro com o presidente americano Donald Trump na Casa Branca.
"Foi com essa franqueza que eu fui dizer ao presidente Trump. Quer discutir big techs? Vamos discutir as big techs. Quer discutir as suas plataformas? vamos discutir. Quer discutir crime organizado? Nossa Polícia Federal está preparada para combater o crime organizado aqui e lá fora. Não tem veto para discutir", disse Lula.
O presidente brasileiro destacou a idade avançada de ambos os líderes como um fator para a urgência nas decisões. "Somos dois homens de 80 anos de idade. E dois homens de 80 anos de idade não brincam em serviço, a natureza é implacável, teoricamente nós temos menos tempo pela frente. Por isso, nós temos que saber o que queremos fazer". E acrescentou: "Ninguém respeita quem não se respeita, ninguém respeita lambe-botas".
Lula reafirmou a determinação para que as equipes dos dois governos resolvam em 30 dias o impasse sobre tarifas de exportação e a investigação comercial aberta pelos EUA contra o Brasil no ano passado.
O Brasil se mantém aberto a negócios com todos os países, priorizando a soberania nacional. "Nós não temos veto aos EUA, não temos veto à China, não temos veto à Rússia, não temos à França, não temos veto ao México, não temos veto à Alemanha. Quem quiser fazer negócio com o Brasil, que venha. Estaremos de braços abertos para comprar e para vender, estaremos de braços abertos para fazer transferência de tecnologia e receber tecnologia nova", declarou.
Em suas redes sociais, Trump descreveu a conversa com Lula como produtiva, abordando "muitos tópicos", incluindo questões comerciais e de tarifas, e classificou o presidente brasileiro como "um presidente muito dinâmico".