A Justiça do Rio de Janeiro arquivou o inquérito policial contra o vereador Salvino Oliveira Barbosa (PSD), ex-secretário municipal da Juventude. A decisão, desta semana, critica a atuação da Polícia Civil, que chegou a prender Barbosa em março sob a alegação de envolvimento com o Comando Vermelho (CV). A Justiça considerou que a investigação se baseou em elementos frágeis e apontou possíveis perseguições políticas e eleitorais.
O juiz Renan de Freitas Ongaratto, da 2ª Vara Especializada em Organização Criminosa, classificou a investigação como uma "pescaria de provas", prática ilegal de buscas genéricas sem alvo ou causa provável. Segundo a decisão, a polícia usou como evidência uma conversa de WhatsApp de um líder do CV, Edgar Alves de Andrade, o Doca, que mencionava o vereador. Para o juiz, faltaram "elementos concretos" que indicassem conduta criminosa.
Ongaratto também apontou "uma série de irregularidades" na condução das investigações, como a condução coercitiva de pessoas próximas ao vereador, incluindo pastores e avós, "sob ameaça de crime de desobediência". Ele citou o caso de um pastor que teve seu depoimento colhido às 21h25, com o comparecimento registrado como voluntário para "maquiar a coercitividade". Avós do vereador foram interrogados sem advogados sobre sua vida pessoal, rotina na igreja e finanças familiares.
A divulgação de dados pela Polícia Civil, como movimentações financeiras "supostamente atípicas" e um depósito de R$ 100 mil, também foi criticada. O juiz lembrou que Salvino justificou o valor como prêmio da ONU por atuação social. A instituição policial afirmou que agiu dentro da legalidade e com base em elementos técnicos, com apoio do Ministério Público e do Judiciário.
O vereador Salvino Oliveira celebrou a decisão e criticou o que chamou de "investigações tendenciosas" e "uso da máquina pública contra adversários". Ele relatou ter sido perseguido politicamente por expor seu orgulho de ter nascido e crescido na Cidade de Deus. A Polícia Civil reiterou que sua atuação é pautada por critérios técnicos e jurídicos, respeitando as decisões da Justiça.