A combinação de juros elevados, com a taxa Selic em 14,5% ao ano, e altos spreads bancários pressiona o orçamento das famílias brasileiras, elevando o endividamento a níveis recordes. Em abril, 80% das famílias possuíam dívidas, e 29,7% estavam inadimplentes, segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC). Para tentar reverter o quadro, o governo federal lançou o Novo Desenrola Brasil.
O spread bancário, diferença entre o custo de captação e a taxa cobrada dos clientes, atinge no Brasil médias de 34,6 pontos percentuais, enquanto a média mundial gira em torno de 6 p.p. Especialistas apontam que essa discrepância, somada à taxa básica de juros, que é a segunda maior do mundo real, dificulta a saúde financeira dos brasileiros.
A professora de economia da UnB, Maria Lourdes Mollo, explica que a alta Selic reflete diretamente nos juros cobrados pelos bancos. "Os juros dos empréstimos estão muito altos. Isso tem uma relação direta, sem dúvida nenhuma, com o endividamento das pessoas", afirma. Ela ressalta que muitos recorrem a empréstimos para cobrir despesas básicas e que o Novo Desenrola pode aliviar o orçamento familiar.
O programa, que vai até o final de julho, oferece renegociação de dívidas com descontos de até 90% e juros reduzidos. A iniciativa busca facilitar o acesso ao crédito para famílias, estudantes e pequenos empreendedores. As taxas de juros do crédito rotativo do cartão de crédito podem ultrapassar os 400% ao ano, um dos fatores que mais contribuem para o endividamento.