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segunda-feira, 19 de outubro de 2026

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TECNOLOGIA ESPACIAL

Equipamento brasileiro viaja à Lua com a Nasa em missão surpresa

Startup brasileira Condor Instruments teve seu wearable ActLumus utilizado secretamente na missão Artemis II da Nasa. Criadores só souberam no lançamento.

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Equipamento brasileiro viaja à Lua com a Nasa em missão surpresa

Um dispositivo brasileiro de monitoramento de sono e atividade física foi secretamente utilizado pelos astronautas da missão Artemis II da Nasa em sua jornada à Lua. A participação da startup paulista Condor Instruments só foi revelada aos próprios criadores no momento do lançamento.

O equipamento, modelo ActLumus, é um wearable similar a um relógio, projetado para pesquisas científicas de alta precisão. Ele registra padrões de sono, atividade física e a exposição à luz, dados cruciais para a saúde e desempenho de astronautas em missões espaciais.

Luis Filipe Rossi, CTO da Condor Instruments, revelou a surpresa ao assistir ao lançamento. "Só descobrimos que ele realmente estava sendo utilizado na missão no dia do lançamento, quando vimos o equipamento no pulso dos astronautas", disse Rossi ao jornal O Globo.

A Nasa contatou a empresa brasileira em 2023, adquirindo unidades para testes e realizando conversas técnicas. Embora a escolha final nunca tivesse sido confirmada oficialmente, a Condor já era referência mundial em sensores de luz, diferencial de seu equipamento.

O ActLumus mede a intensidade da luz e como diferentes receptores oculares, incluindo os ligados ao ritmo circadiano e ao sono, são estimulados. Isso ajuda a monitorar as reações do corpo à ausência da alternância natural dia-noite, um desafio fisiológico significativo no espaço.

Rossi destacou que a desorganização do relógio biológico pode levar a problemas de sono, fadiga, queda de atenção e alterações cognitivas, representando um risco operacional em missões espaciais onde a precisão é vital.

Poucas adaptações foram necessárias no dispositivo, que já era robusto para uso científico. A principal alteração foi a redução da potência do Bluetooth para atender aos requisitos da missão.

A Condor Instruments nasceu em 2013, fruto de uma parceria com pesquisadores da Universidade de São Paulo e com apoio inicial da Fapesp. Atualmente, quase 90% de suas vendas são para o exterior, com clientes como Harvard University, Stanford University e grandes companhias aéreas.

Para Rossi, a participação do ActLumus na missão lunar é um marco para a ciência brasileira. "Foi um momento de muito orgulho e emoção para toda a equipe. Ver uma tecnologia desenvolvida no Brasil sendo usada em uma das missões espaciais mais importantes da atualidade mostra que inovação de classe mundial também pode nascer aqui", afirmou.

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