A 5ª fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, revelou nesta quinta-feira (7) que uma emenda proposta pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI) para ampliar o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão poderia ter exposto o sistema financeiro a riscos. A emenda, apelidada de "Emenda Master", foi supostamente elaborada por assessores do Banco Master, do banqueiro Daniel Vorcaro, e entregue ao senador. Em troca, Nogueira receberia pagamentos mensais e custeio de despesas pessoais, incluindo viagens internacionais, segundo as investigações da PF.
A proposta foi rejeitada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado por inconstitucionalidade e inadequação técnica. O relator da PEC, senador Plínio Valério (PSDB-AM), argumentou que a emenda era inoportuna e contrariava o modelo de proteção financeira. Especialistas alertam que a aprovação da emenda poderia ter levado ao aumento das tarifas bancárias e dos juros, além de criar um "risco moral" ao incentivar instituições financeiras a assumirem comportamentos mais arriscados com a falsa sensação de segurança total.
Economistas ouvidos pela reportagem indicam que a ampliação do limite de cobertura do FGC ameaçaria a própria sobrevivência do fundo. O FGC, criado em 1995, garante depósitos de até R$ 250 mil por CPF/CNPJ em instituições financeiras em processo de liquidação. Em 2025, o fundo teve que desembolsar R$ 40,6 bilhões para cobrir perdas de clientes do conglomerado Master, e R$ 57,4 bilhões no total, impactando quase metade de suas reservas. A defesa do senador Ciro Nogueira afirmou que ele colaborará com a Justiça para esclarecer sua inocência e repudiou qualquer alegação de ilicitude.