O Comitê Olímpico do Brasil (COB) está desenvolvendo protocolos de apoio para atletas olímpicas mães, buscando alinhar a maternidade com a continuidade da carreira esportiva. A surfista Tatiana Weston-Webb, que competiu grávida e retornou às águas um mês após o nascimento de sua filha, é um dos casos acompanhados pela entidade e serve como inspiração para a mudança de paradigma no esporte nacional.
A iniciativa visa oferecer estrutura que inclui apoio psicológico, adaptação logística e garantia de permanência no ambiente esportivo, diferentemente do cenário de décadas atrás, quando a maternidade significava uma aposentadoria informal para muitas atletas. Tati Weston-Webb relatou sentir-se acolhida pelo COB durante a gestação e planeja um retorno seguro às competições com acompanhamento da equipe multidisciplinar.
A mudança de mentalidade é global, com atletas competindo grávidas em Paris-2024. A ginecologista do Time Brasil, Thatiana Parmigiano, uma das idealizadoras do projeto, ressalta a importância de adaptar os protocolos à realidade de cada confederação e atleta, permitindo que conciliem os papéis de mãe e atleta de alta performance.
A recente Lei 14.614/2023, que garante a manutenção do Bolsa Atleta durante a gravidez e até seis meses após o parto, é um avanço, mas a psicóloga do esporte Clarice Medeiros aponta que a jornada ainda é complexa, exigindo redes de apoio robustas para lidar com a sobrecarga física e psíquica da maternidade.
A volta de Tati Weston-Webb às competições respeita os limites do seu corpo, com foco em fisioterapia e fortalecimento progressivo. O COB defende a permanência das atletas em seus ambientes de treino, mesmo durante a gestação, e adaptações logísticas, como salas de amamentação e berçários nos centros de treinamento, para facilitar a conciliação entre a vida esportiva e a maternidade. A World Surf League também implementou o "Maternity Wildcard", que garante o retorno de surfistas ao circuito após a maternidade.