Um novo relatório da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) sugere que o ex-presidente Juscelino Kubitschek foi assassinado pela ditadura militar em 1976. A conclusão contradiz a versão oficial de acidente automobilístico e o relatório anterior da Comissão Nacional da Verdade.
O parecer, elaborado pela historiadora Maria Cecília Adão, aponta indícios de atentado político, contestando a tese de que o Opala em que JK viajava com o motorista Geraldo Ribeiro tenha se chocado com um ônibus durante uma ultrapassagem na Rodovia Presidente Dutra.
A CEMDP baseou sua análise em documentos públicos e no Inquérito do Ministério Público Federal nº 1.30.008.000307/2013-79, além de um laudo do perito Sergio Ejzenberg, contratado pelo MPF e concluído em 2019. O laudo rejeita a hipótese de colisão com ônibus e sugere ação externa como sabotagem ou disparo de arma de fogo.
A CEMDP, órgão estatal criado em 1995, tem como finalidade reconhecer pessoas mortas ou desaparecidas em razão de atividades políticas entre 1961 e 1988. O caso de JK foi reaberto em fevereiro de 2025 pelo governo Lula.
O relatório completo será analisado pelos conselheiros da comissão e discutido com os familiares das vítimas antes de sua divulgação oficial.