O economista Francisco Lafaiete de Pádua Lopes, o Chico Lopes, morreu nesta sexta-feira (8) no Rio de Janeiro. Ele tinha 79 anos. Ex-presidente interino do Banco Central (BC) e um dos arquitetos do Comitê de Política Monetária (Copom), Lopes estava internado no Hospital Pró-Cardíaco, em Botafogo.
A morte foi confirmada pela família, que emitiu nota lamentando a perda. "É com profundo pesar que comunicamos o falecimento de Chico Lopes, economista de trajetória marcante e um dos nomes mais respeitados do pensamento econômico brasileiro", dizia o comunicado.
Formado pela UFRJ, com mestrado pela FGV e doutorado por Harvard, Chico Lopes teve passagem pelo Ministério da Fazenda e foi diretor do Banco Central entre 1995 e 1998. Assumiu a presidência interina em janeiro e fevereiro de 1999, no governo FHC, período em que o Brasil vivenciou a transição para o câmbio flutuante.
Na sua gestão, o BC enfrentou uma crise cambial e a polêmica operação de salvamento dos bancos Marka e FonteCidam, que resultou em prejuízo para a instituição. Lopes sempre defendeu a legalidade das ações, que visavam evitar o colapso financeiro.
O Banco Central divulgou nota de pesar, destacando a contribuição de Lopes para o combate à inflação crônica nas décadas de 1980 e 1990. A criação e institucionalização do Copom foi apontada como seu legado mais duradouro, responsável por conferir previsibilidade e transparência às decisões sobre a taxa Selic.
Chico Lopes também participou de planos anti-inflacionários e ajudou a consolidar o Plano Real. Em suas palavras, o Copom foi fundamental para a estabilidade da moeda brasileira.
O velório ocorre neste sábado (9), a partir das 13h, no Cemitério do Caju, no Rio de Janeiro. A cerimônia de cremação está marcada para as 16h.
Ele deixa a esposa, Ciça Pugliese, três filhos e sete netos.