A Naskar Gestão de Ativos, empresa de tecnologia financeira que tem como um de seus sócios o ex-jogador de vôlei Maurício Jahu, deixou de operar. O aplicativo e o site da companhia saíram do ar, e cerca de três mil investidores que aplicaram recursos na fintech não conseguem contato nem recebem seus rendimentos prometidos. A Polícia Civil do Distrito Federal investiga o caso.
A empresa prometia rendimentos mensais entre 1% e 2% através de contratos mútuos, o que equivale a mais de 170% do CDI. Segundo a Associação Brasileira de Assessores de Investimentos (Abai), o passivo da Naskar pode chegar a R$ 900 milhões.
A Nexco, uma das investidoras e com sede no Distrito Federal, entrou com um processo contra a Naskar. A empresa alega que os pagamentos não foram honrados, o acesso ao aplicativo foi bloqueado e não há retorno da fintech. Cerca de 1.250 clientes e colaboradores da Nexco podem ter sido afetados, com um prejuízo estimado em R$ 288 milhões.
Em nota, a Naskar informou que iniciou uma auditoria interna após identificar inconsistências em sua base de dados e que as equipes técnicas estão trabalhando para validar as informações. A empresa prometeu atualizar os clientes o mais breve possível.
Especialistas em mercado de capitais alertam que contratos mútuos que captam recursos do público com promessa de rendimento configuram valor mobiliário e devem ser supervisionados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A Abai recomendou aos assessores de investimento cautela com produtos cujos lastros, liquidez, riscos e remuneração não sejam claros.