A Polícia Federal realizou buscas em endereços do senador Ciro Nogueira (PP-PI) nesta quinta-feira (7), em uma nova fase da Operação Compliance Zero. A investigação apura desdobramentos relacionados ao Banco Master, tendo o parlamentar como primeiro político a ser alvo da ação. Dirigentes do Centrão e aliados de Nogueira esperam novos desdobramentos e impactos na classe política.
Um dirigente partidário afirmou que a ação não foi surpresa, dada a proximidade entre Nogueira e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Outro aliado declarou que "vem mais pela frente", enquanto um parlamentar resumiu: "Cada um sabe o que fez ou deixou de fazer".
A operação ocorreu dois dias após a defesa de Vorcaro propor delação premiada à PF e à Procuradoria-Geral da República. Autoridades esperam que o ex-banqueiro detalhe sua relação com políticos e funcionários públicos.
Aliados de Nogueira relataram, em caráter reservado, que a ofensiva contra o presidente do PP já era esperada. O timing, porém, chamou atenção e foi associado nos bastidores à derrota de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) na semana passada, com Nogueira e Davi Alcolumbre (União-AP) sendo apontados como articuladores.
A candidatura de Nogueira à reeleição no Piauí também gera preocupação quanto aos efeitos eleitorais do caso. A manutenção do foro privilegiado é crucial para o senador.
Na cúpula do União Brasil, o clima é de cautela. Mensagens apreendidas são consideradas "muito comprometedoras". Há temor de que o presidente nacional do partido, Antonio Rueda, também seja alvo da PF, embora uma eventual operação contra ele, sem foro privilegiado, seria processualmente mais simples.
Rueda é citado em mensagens de Vorcaro e admitiu ter prestado serviços advocatícios ao Banco Master. O União Brasil ainda não se manifestou oficialmente.
No Senado, a reação pública foi de cautela. Alessandro Vieira (MDB-SE) defendeu que autoridades e parlamentares estejam sujeitos a investigações. Cleitinho (Republicanos-MG) afirmou que ninguém está acima da lei e que Ciro Nogueira deve esclarecer as denúncias.
A nova fase da Operação Compliance Zero foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do STF. Investigadores apontam Nogueira como suposto "destinatário central" de vantagens indevidas ligadas ao banco.
Um dos elementos citados pela PF é uma emenda apresentada por Nogueira em 2024 para ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), apelidada de "emenda Master". A proposta visava elevar o limite de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por CPF/CNPJ, o que seria relevante para o Banco Master atrair investimentos em CDBs.
Segundo a PF, mensagens indicam que o texto da emenda foi elaborado dentro do Banco Master e enviado ao senador. Vorcaro comemora em uma conversa: "Saiu exatamente como mandei". A emenda não foi aprovada.
O senador Plínio Valério (PSDB-AM), relator da PEC da autonomia do Banco Central, afirmou que não acatou a emenda e não vê crime em um parlamentar protocolar sugestão de terceiros. Ele acredita que a operação se baseia em outros elementos da investigação.
Fonte: O Globo