O ex-banqueiro Daniel Vorcaro cobrou o senador Ciro Nogueira (PP-PI) por atraso em pagamentos, segundo mensagens identificadas pela Polícia Federal. O diálogo, obtido pela corporação, indica um suposto aumento na "mesada" destinada a uma estrutura ligada ao parlamentar, passando de R$ 300 mil para R$ 500 mil. A defesa de Nogueira nega o recebimento dos valores.
As mensagens trocadas entre Vorcaro e seu primo, Felipe, em janeiro de 2025, revelam que Felipe procurou o ex-banqueiro para discutir o aumento dos repasses a uma empresa identificada pela PF como "BRGD", supostamente utilizada por Ciro Nogueira para receber propinas. Felipe relatou "dificuldades" nos pagamentos, e Vorcaro, que estava na Venezuela, pediu que o primo resolvesse a situação, prometendo cobrir os custos posteriormente.
Em seguida, veio a cobrança direta de Vorcaro: "Cara eu no meio dessa guerra atrasou dois meses Ciro". Felipe se comprometeu a "dar um jeito" e questionou se o valor a ser transferido seria mantido em R$ 500 mil ou voltaria para R$ 300 mil.
A PF cita ainda um diálogo anterior, de junho de 2024, onde Felipe questiona se deveria continuar os repasses ao "pessoal da BRGD", com a resposta de Vorcaro: "muito importante". Felipe é descrito pela PF como integrante do núcleo financeiro-operacional da organização criminosa de Vorcaro.
A quinta fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta manhã, teve como alvo Felipe e também o senador Ciro Nogueira, apontado como "destinatário central" de vantagens indevidas pagas pelo ex-dono do Banco Master. A investigação aponta indícios de troca de favores entre o senador e o executivo.
Um dos fatos citados pela PF é uma emenda apresentada por Nogueira ao Senado para ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Segundo a apuração, o texto da emenda foi redigido dentro do Banco Master, encaminhado a Vorcaro e entregue ao senador em seu endereço residencial. A proposta, que visava aumentar a garantia de R$ 250 mil para R$ 1 milhão, foi comemorada por Vorcaro em mensagem: "Saiu exatamente como mandei". A "emenda Master", como ficou conhecida, não foi aprovada.