As Artes Marciais Históricas Europeias (Hema), que recriam sistemas de combate da Idade Média e Renascença, atraem cada vez mais praticantes na América do Sul, especialmente no Brasil e na Argentina. O esporte, que difere de encenações teatrais, baseia-se em tratados históricos e é praticado com equipamentos de segurança modernos.
No Brasil, torneios como o de Esgrima Histórica em São Paulo e aulas abertas no Rio de Janeiro marcam a expansão da modalidade. A Hema, sigla para Historical European Martial Arts, envolve o estudo e a prática de técnicas de combate com armas como espadas e sabres, fundamentadas em manuais antigos.
Manuais de mestres como Fiore dei Liberi e Johannes Liechtenauer são a base para a reconstrução das técnicas. Marcos Rodríguez Peluso, instrutor argentino, destaca que a Hema estuda e recria o conhecimento registrado nesses tratados históricos.
O renascimento global da Hema se intensificou nos anos 2000 com a internet, facilitando o acesso a manuais digitalizados em plataformas como a Wiktenauer. O esporte abrange desde combate corpo a corpo até o uso de armas de haste, mas a espada longa é a mais emblemática.
Espadas de treino medem cerca de 100 cm e pesam entre 1,3 e 1,8 kg. O treinamento utiliza versões sem fio e pontas flexíveis para segurança. Outras armas praticadas incluem sabres e a combinação de espada e broquel.
Na Argentina e no Brasil, a modalidade se consolidou no final da década de 2010. Clubes como Cruz del Sur na Argentina e a Associação Brasileira de Esgrima Histórica (Abeh) impulsionam a prática, que ganhou novo fôlego após a pandemia.
O treinamento envolve aquecimento físico, interpretação de fontes históricas e prática de combate controlado, onde a aplicação da técnica sem a ajuda do oponente é crucial. Equipamentos como máscaras, jaquetas e luvas reforçadas garantem a segurança.
Além dos benefícios físicos, como coordenação e reflexos, a Hema desenvolve o raciocínio estratégico e a análise sob pressão. Os praticantes ressaltam o forte senso de comunidade e camaradagem.
Fonte: O Globo