O senador Ciro Nogueira (PP-PI) foi alvo da 5ª fase da Operação Compliance Zero, mas com menos restrições que outros investigados. A Polícia Federal solicitou ao ministro do STF, André Mendonça, que Nogueira não possa ter contato com outros alvos da operação. Sua residência também foi revistada.
As medidas impostas a outros investigados são mais severas. Felipe Cançado Vorcaro foi preso, enquanto Raimundo Neto Nogueira Lima e Bernardo Rodrigues de Oliveira Filho estão proibidos de sair do país e sob monitoramento eletrônico.
Nogueira, que também foi ministro da Casa Civil no governo de Jair Bolsonaro, é suspeito de ter ligação com núcleos empresariais e financeiros da organização criminosa investigada. A PF alega que o senador tem capacidade de influenciar a investigação, dado seu poder político e proximidade com outros envolvidos.
A polícia justifica as restrições ao senador pela necessidade de evitar o alinhamento de versões e a troca de informações sensíveis. A proibição de contato visa unicamente proteger a investigação, sem impor limitações excessivas à liberdade do investigado.
Um dos casos citados na operação é a proposta de alteração na cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), conhecida como "emenda Master". A emenda, sugerida por Nogueira, visava aumentar a cobertura de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por CPF, o que poderia ter elevado o rombo do FGC para além dos R$ 60 bilhões já constatados.
A operação também aponta que projetos de lei foram encontrados na residência do senador para revisão, antes de serem devolvidos a um servidor ligado a ele. A prática de lobby, com a apresentação de projetos e emendas inteiras a parlamentares, é comum e pode levar a investigações como a Compliance Zero.
Fonte: O Globo