O senador Ciro Nogueira (PP-PI), figura central na 5ª fase da Operação Compliance Zero, recebeu um tratamento mais cauteloso da Justiça em comparação a outros investigados. A Polícia Federal pediu e o ministro André Mendonça, do STF, determinou que Nogueira não possa manter contato com outros alvos da operação. Sua residência foi alvo de busca e apreensão.
Enquanto isso, outros investigados como Felipe Cançado Vorcaro foram presos. Raimundo Neto Nogueira Lima e Bernardo Rodrigues de Oliveira Filho enfrentam proibição de sair do país e monitoramento eletrônico.
Nogueira, ex-ministro da Casa Civil e um dos líderes do Centrão, é acusado de ter ligações funcionais estáveis com outros núcleos da organização criminosa, especialmente os empresariais e financeiros, que controlam fluxos de dinheiro e decisões ilícitas.
A PF argumenta que o parlamentar tem controle e se beneficia de lavagem de dinheiro, e que sua influência política e proximidade com outros investigados representam um risco elevado para a investigação.
A proibição de contato visa proteger a investigação, sem impor restrições excessivas à liberdade do senador, segundo a peça que autorizou a operação.
A operação aponta para o caso da "emenda Master", onde Nogueira sugeriu aumentar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por CPF. A emenda à PEC 65/2023 poderia ter elevado o rombo do FGC, que já custou quase R$ 60 bilhões aos bancos neste ano.
Minutas de projetos de lei, propostas por Daniel Vorcaro, foram encontradas na residência de Nogueira para revisão, sendo devolvidas a um servidor ligado ao parlamentar. A prática de lobby com apresentação de projetos e emendas inteiras, sem o cuidado de esconder a origem, é alertada pela operação, mostrando seus perigos.
Fonte: O Globo