O governo federal liberou R$ 2,3 bilhões em emendas parlamentares ao Senado na período de 10 de abril até a votação de Jorge Messias, indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF). A liberação acelerada ocorreu após a marcação da sabatina do advogado-geral da União, mas não foi suficiente para garantir sua aprovação.
Entre os beneficiados com emendas em abril, destaca-se o senador Weverton Rocha (PDT-MA), relator da indicação de Messias na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ). O voto secreto impede a identificação dos senadores que se posicionaram contra a indicação.
O montante liberado em abril contrasta com anos anteriores. Em 2025, não houve empenho no mesmo período. Em 2024, o desembolso foi de R$ 2 bilhões, e em 2023, apenas R$ 7,9 milhões.
Apesar dos esforços, Messias foi rejeitado pelo Senado com 42 votos contrários e 34 a favor, ficando sete votos abaixo do necessário. Esta é a sexta vez na história da República que uma indicação ao STF é barrada pelo Senado, e a primeira desde 1894, durante o governo de Floriano Peixoto.
A rejeição ocorreu em meio a articulações atribuídas ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que teria trabalhado nos bastidores para ampliar os votos contrários a Messias. Senadores relataram que Alcolumbre contatou parlamentares de diversos espectros políticos pedindo voto contrário ao indicado.
Pouco antes da votação, Alcolumbre previu a derrota de Messias por oito votos, declaração captada por microfone. Em nota, o presidente do Senado afirmou ter apenas opinado sobre o placar a pedido do líder do governo, senador Jaques Wagner (PT), reiterando sua experiência em votações.
A sabatina de Messias, inicialmente marcada para novembro do ano passado, foi cancelada e remarcada para abril, data em que o governo intensificou a liberação de emendas.
Fonte: G1