Brasília – Em uma reviravolta política sem precedentes, a indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) foi rejeitada pelo Senado nesta quinta-feira (30/04/2026), marcando a primeira vez em 132 anos que uma nomeação para a Corte máxima sofre derrota em votação nominal. O placar de 34 votos a favor e 60 contrários evidenciou uma fratura no apoio governista, com senadores tradicionalmente alinhados ao Planalto mudando de lado.
A articulação da oposição e de setores independentes obteve sucesso em isolar Messias, que contou com o apoio de apenas 18 senadores de PT, PDT e PSB. A análise de votos indica que, mesmo somando declarações prévias de apoio de MDB, PSD, PP e PSDB, o governo somaria 31 votos, três a menos do que o obtido. A oposição, por sua vez, mobilizou seus 16 senadores do PL e outros 11 votos declaradamente contrários.
O resultado levanta questionamentos sobre a coesão da base aliada. Pelo menos dois dos cinco senadores considerados mais alinhados ao governo, que costumam votar com o Planalto em mais da metade das votações, teriam mudado seu voto, ou senadores com compromisso prévio de apoio teriam desertado.
A rejeição ganhou força com uma suposta articulação de bastidores atribuída ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Senadores ouvidos pela reportagem, sob reserva, relataram que Alcolumbre teria contatado parlamentares para pedir votos contrários a Messias. A assessoria do senador negou veementemente a informação.
A nomeação já era marcada por divergências entre o governo e Alcolumbre, que defendia o nome de Rodrigo Pacheco (PSB-MG) para a vaga. A rejeição de Messias é vista por aliados do governo como uma crise com potencial de abalar a relação entre os poderes.