O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) reuniu-se nesta terça-feira (28) com parentes de 122 pessoas mortas na Operação Contenção, realizada em outubro de 2025 nos Complexos da Penha e do Alemão. O objetivo é coletar depoimentos para elucidar as circunstâncias das mortes, que incluíram cinco policiais. A ação foi conduzida pelo Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp/MPRJ), com apoio da ouvidoria itinerante, no quartel do Corpo de Bombeiros da Penha.
Promotores buscam ativamente os familiares desde o início das investigações para entender a dinâmica da operação e garantir transparência sobre o andamento do processo. A proximidade do local de atendimento com a área da ação visa facilitar o acesso à justiça.
Laura Minc, assistente do Gaesp, destacou que a iniciativa busca aumentar a participação de familiares que não puderam comparecer anteriormente devido a conflitos de agenda ou outras dificuldades.
David Faria, ouvidor do MPRJ, ressaltou a importância da escuta ativa dos parentes, reforçando o papel da ouvidoria como porta de entrada para o cidadão e na proteção dos direitos humanos, conforme determina a ADPF 635, que exige ampla atuação do MP em casos de letalidade policial.
Desde a operação, o MPRJ instaurou um Procedimento Investigatório Criminal (PIC) autônomo, monitora operações em tempo real e acionou protocolos da ADPF 635. Foram requisitados dados das polícias Civil e Militar, ouvidos agentes e realizadas perícias. O Gaesp também analisa mais de 3.600 horas de gravações de câmeras corporais e recomendou a edição de protocolos conjuntos para reduzir riscos e letalidade em operações, além de aprimorar o uso de câmeras portáteis.
Até o momento, o Gaesp e a Auditoria da Justiça Militar apresentaram oito denúncias contra 27 policiais militares por crimes como apropriação de armamento, furto, invasão de domicílio, constrangimento de moradores e obstrução de câmeras.