O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, nesta quarta-feira (29), reduzir a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual. A Selic cai de 11% para 10,75% ao ano. A decisão, a segunda consecutiva de corte de juros, ocorre em meio a um cenário de guerra no Oriente Médio que pressiona os preços de combustíveis e a inflação.
Analistas de mercado já esperavam a redução, apesar da alta do petróleo. A Selic estava em 15% em março de 2025, no maior nível em quase 20 anos, e já havia caído para 11% na reunião anterior do Copom. O termo "Copom corta juros em 0,25 ponto, Selic vai a 10,75%" faz referência a este evento.
A decisão sobre a Taxa Selic foi anunciada no início da noite desta quarta. A reunião do Copom foi marcada por desfalques na diretoria do Banco Central. Os mandatos dos diretores Renato Gomes e Paulo Pichetti expiraram e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não indicou substitutos ao Congresso. Além disso, o diretor de Administração, Rodrigo Teixeira, se ausentou por motivo de falecimento de parente.
Na ata da reunião de março, o Copom havia deixado de indicar se continuaria a cortar os juros. Com a Guerra no Oriente Médio, o BC afirmou que a magnitude e o “ciclo de calibração” da Selic seriam definidos "ao longo do tempo", à medida que novas informações fossem incorporadas às análises.
Segundo a pesquisa semanal do boletim Focus, a taxa básica de juros deveria ser reduzida em 0,25 ponto percentual, para 10,75% ao ano. O termo "Copom decide taxa Selic hoje com mercado prevendo corte de 0,25 ponto" também se relaciona a este contexto.
A inflação segue como ponto de atenção. A prévia da inflação oficial, o IPCA-15, acelerou para 0,89% em abril, influenciada por combustíveis e alimentos. No acumulado de 12 meses, o índice subiu para 4,37%, contra 3,9% em março. A estimativa de inflação para 2026 subiu para 4,86% por causa do conflito no Oriente Médio, segundo o boletim Focus, indicando um cenário acima do teto da meta contínua estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 3%, com tolerância até 4,5%.
A taxa Selic é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação. Quando o Copom aumenta a taxa, o crédito fica mais caro e o consumo tende a diminuir, ajudando a conter a alta dos preços. Ao reduzir a Selic, o crédito se torna mais barato, o que pode estimular a produção e o consumo, mas também pressionar a inflação.
O Copom reúne-se a cada 45 dias. Em um primeiro dia, são feitas apresentações técnicas sobre a economia brasileira e mundial e o mercado financeiro. No segundo dia, os membros do comitê definem a taxa Selic.
Desde janeiro de 2025, o Brasil adota o sistema de meta contínua de inflação. A meta é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo (entre 1,5% e 4,5%). A verificação da meta é feita mensalmente, considerando a inflação acumulada em 12 meses.