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terça-feira, 20 de outubro de 2026

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ECONOMIA

Redução da jornada de trabalho divide opiniões sobre impacto econômico

Projetos para reduzir jornada de trabalho dividem especialistas: CNI e CNC preveem queda no PIB e alta da inflação, enquanto Unicamp e Ipea apontam impactos limitados e potencial de geração de empregos. Entenda os argumentos.

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Redução da jornada de trabalho divide opiniões sobre impacto econômico

Projetos de lei que visam reduzir a jornada de trabalho no Brasil, extinguindo a escala 6x1, geram debates acalorados entre economistas e entidades empresariais. Enquanto setores patronais preveem queda no PIB e aumento da inflação, estudos de instituições como Unicamp e Ipea apontam para impactos setoriais limitados, com potencial para geração de empregos e até crescimento econômico.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima uma perda de R$ 76 bilhões no PIB e um aumento de 6,2% nos preços. Já a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) projeta um aumento de 21% nos custos com folha de pagamento e repasse de até 13% aos consumidores.

Em contrapartida, pesquisas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) indicam que o aumento nos custos trabalhistas não ultrapassaria 10% nos setores mais afetados, com um impacto total nos custos empresariais variando entre 1% e 6,6%. O Ipea sugere que a maioria das empresas tem capacidade de absorver os custos, com exceção de micro e pequenas empresas, que poderiam necessitar de apoio estatal.

Especialistas como Marilane Teixeira, da Unicamp, argumentam que a divergência nas projeções reflete um debate político, não apenas técnico. Ela critica modelos que ignoram ajustes dinâmicos no mercado de trabalho e ressalta que a resistência empresarial pode inflar projeções de impacto negativo.

A discussão sobre o fim da escala 6x1 também aborda o potencial de aumento da produtividade com jornadas reduzidas e o impacto na vida dos trabalhadores, especialmente mulheres, que muitas vezes conciliam dupla jornada. A experiência histórica, como a redução da jornada em 1988, não apresentou efeitos negativos no emprego, segundo estudos.

As diferentes premissas dos estudos, como a expectativa de ganhos de produtividade ou a capacidade de absorção de custos, explicam as conclusões conflitantes. Especialistas ressaltam que a análise dos dados pode variar conforme a perspectiva política e econômica de cada pesquisador.

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