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terça-feira, 20 de outubro de 2026

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ESPORTES

Dor em jovens atletas: Quando o incômodo é normal e quando sinaliza lesão

Especialistas e atletas jovens explicam como identificar dores normais do treino e quando o incômodo pode indicar lesões sérias em corpos em desenvolvimento.

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Dor em jovens atletas: Quando o incômodo é normal e quando sinaliza lesão

Atletas jovens enfrentam um desafio único: diferenciar o desconforto normal do treino de sinais de alerta para lesões. Corpos em desenvolvimento, com crescimento ósseo rápido e adaptações musculares mais lentas, aumentam a vulnerabilidade.

Especialistas alertam que a puberdade intensifica esses riscos. Em meninos, o aumento da testosterona pode levar a uma força explosiva que tendões imaturos não suportam. Em meninas, o estrogênio pode causar frouxidão ligamentar e alterações na pelve, elevando o perigo de lesões.

Fatores psicológicos também pesam. Jovens podem hesitar em relatar dor por pressão de desempenho, desejo de agradar treinadores ou de acompanhar colegas. A cultura de "não sentir dor" contribui para a negligência desses sinais.

Manuela Maia, judoca profissional de 17 anos, aprendeu a importância da escuta corporal após dois estiramentos. "Fui muito orientada a prestar atenção em como eu estava me sentindo", conta. Ela ressalta a importância de alimentação, sono e fortalecimento.

A dor muscular de início tardio (DMIT), que surge 24-48h após treino intenso e melhora em 2-3 dias, é considerada normal. Ela é sentida nos dois lados do corpo e melhora com movimento leve.

Sinais de alerta incluem dor assimétrica (apenas em um lado), localizada em um ponto específico, que piora com o exercício, causa claudicação, fisgadas agudas, dormência, formigamento, inchaço, vermelhidão ou perda de amplitude de movimento.

Fisioterapeutas recomendam uma escala de cores: verde para desconforto seguro, amarela para dor que aparece e some, e vermelha para dor aguda que altera o movimento ou impede o sono, exigindo interrupção e avaliação.

Pais devem observar sinais não verbais, como cansaço excessivo ou desânimo com o esporte, que podem indicar sobrecarga sistêmica.

A prevenção envolve a diversificação de atividades físicas na infância para ampliar o repertório motor e evitar lesões por esforço repetitivo. Respeitar a progressão do treino, garantir descanso, focar na técnica e valorizar qualquer dor recorrente são fundamentais.

A prevenção é multifatorial: treino orientado, supervisão profissional, escuta do atleta, participação dos pais e atenção real aos sinais do corpo.

Fonte: O Globo - Intercolegial

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