O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta quarta-feira (22) a retirada das credenciais diplomáticas de um agente de imigração dos Estados Unidos que atuava na sede da PF em Brasília. A ação é uma resposta direta à decisão dos EUA de expulsar o delegado brasileiro Marcelo Ivo de Carvalho, da PF.
"Eles fizeram conosco, a gente vai fazer com eles", afirmou Lula em vídeo divulgado nas redes sociais, ao lado do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva. O presidente espera que a medida leve os EUA a "voltarem a conversar e as coisas voltarem à normalidade".
A iniciativa brasileira segue o princípio da reciprocidade. O governo dos EUA havia determinado a saída do delegado brasileiro após sua atuação na prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem, que estava foragido da Justiça brasileira nos Estados Unidos. Ramagem foi condenado a 16 anos de prisão no Brasil por envolvimento em uma trama golpista.
O Ministério das Relações Exteriores (MRE) comunicou à embaixada norte-americana que a decisão brasileira se deu "diante da decisão sumária contra o agente da Polícia Federal, que não foi precedida de qualquer pedido de esclarecimento ou tentativa de diálogo", contrariando acordos bilaterais e boa prática diplomática.
A prisão de Ramagem em Orlando, Flórida, foi resultado de cooperação policial internacional. O ex-diretor da Abin é considerado foragido no Brasil por crimes como organização criminosa e tentativa de golpe de Estado.
Em paralelo, Lula anunciou a contratação de 1.000 novos agentes para reforçar a atuação da PF em portos, aeroportos e fronteiras, como parte do combate ao crime organizado.