O Itamaraty, Ministério das Relações Exteriores do Brasil, declarou que a retirada do delegado da Polícia Federal (PF) Marcelo Ivo de Carvalho dos Estados Unidos não seguiu as boas práticas diplomáticas de diálogo entre nações amigas. Em resposta, o Brasil adotou uma medida de reciprocidade, retirando as credenciais diplomáticas de um agente americano que atuava em Brasília.
O delegado brasileiro, que estava em missão como oficial de ligação em Miami desde março de 2023, com atuação junto ao ICE (Serviço de Imigração e Controle de Alfândega), foi comunicado verbalmente sobre a interrupção de suas funções. A PF determinou sua substituição em março de 2026.
O agente americano, que trabalhava em uma unidade da PF em Brasília, perdeu acesso à unidade e a bases de dados de cooperação entre as polícias. A decisão brasileira foi justificada como um ato de reciprocidade, espelhando o ocorrido com o delegado em Miami.
O Ministério das Relações Exteriores destacou que a ação americana não foi precedida de pedido de esclarecimento ou tentativa de diálogo, contrariando acordos bilaterais. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já havia afirmado que o Brasil adotaria medidas de reciprocidade caso houvesse abuso por parte do governo americano.
O delegado Marcelo Ivo de Carvalho participou da ação que levou à prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ) em abril de 2026, após a condenação de Ramagem a 16 anos de prisão em setembro de 2025, em ação penal que também condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro.