Washington/Brasília – O governo dos Estados Unidos determinou a saída do país de um delegado da Polícia Federal (PF) brasileiro, atuante junto ao Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE), após a prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem. A alegação americana é de tentativa de manipulação do sistema de imigração para evitar a extradição de Ramagem. Em resposta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu reciprocidade em caso de abuso.
Ramagem, que está foragido no Brasil e condenado a mais de 16 anos de prisão por envolvimento em uma trama golpista, foi detido pelo ICE na semana passada. Inicialmente, a PF brasileira anunciou a prisão como fruto de colaboração com autoridades americanas. No entanto, Ramagem foi solto dias depois. O ICE informou que o brasileiro tem direito à permanência provisória nos EUA.
O ex-deputado Alexandre Ramagem e sua esposa, Rebeca Ramagem, criticaram a medida americana nas redes sociais. Rebeca classificou a ação como "covardia". Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e exilado nos EUA, também comentou o caso, atacando o ministro Alexandre de Moraes e a PF.
O delegado em questão é Marcelo Ivo de Carvalho, que atua em Miami. O Ministério das Relações Exteriores do Brasil, representado pelo ministro Mauro Vieira, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, demonstraram surpresa com a decisão americana e aguardam esclarecimentos. Ambos ressaltaram que a atuação do delegado é baseada em acordos de cooperação.
“Se houve um abuso norte-americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com o dele no Brasil. Não tem conversa. Queremos que as coisas aconteçam da forma mais correta possível, mas nós não podemos aceitar essa ingerência, esse abuso de autoridade”, declarou Lula.
A PF já nomeou uma nova oficial de ligação no ICE em Miami, Tatiana Alves Torres, para o lugar de Carvalho.