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quarta-feira, 21 de outubro de 2026

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ENERGIA RENOVÁVEL

Energia solar pode dobrar capacidade de Itaipu, aponta estudo

Estudo em Itaipu revela potencial da energia solar flutuante para dobrar capacidade de geração da usina. Pesquisas também avançam em hidrogênio verde, baterias e biocombustíveis.

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Energia solar pode dobrar capacidade de Itaipu, aponta estudo

Uma pesquisa em andamento na Usina de Itaipu, na fronteira do Brasil com o Paraguai, indica que a instalação de painéis solares sobre o reservatório de água da usina tem potencial para dobrar a capacidade de geração de energia elétrica do complexo. O estudo, conduzido por técnicos dos dois países, avalia a viabilidade de transformar os 1,3 mil quilômetros quadrados do espelho d'água em uma nova fonte de energia.

Um experimento inicial já instalou 1.584 painéis fotovoltaicos em uma área de menos de 10 mil metros quadrados sobre o lago. A planta solar, com capacidade de gerar 1 megawatt-pico (MWp), consome o equivalente a 650 residências e serve como laboratório para analisar a interação dos painéis com o ambiente, incluindo seus efeitos sobre a fauna aquática e a temperatura da água.

A meta futura é expandir essa geração, o que exigiria uma atualização do Tratado de Itaipu, firmado em 1973. Segundo Rogério Meneghetti, superintendente de Energias Renováveis da Itaipu Binacional, cobrir 10% do reservatório com painéis solares equivaleria a uma nova usina do porte de Itaipu. Estimativas preliminares sugerem que, em quatro anos, seria possível atingir uma geração solar de 3 mil megawatts, cerca de 20% da capacidade hidrelétrica atual.

O projeto-piloto, que envolve um investimento de US$ 854,5 mil (aproximadamente R$ 4,3 milhões), é tocado por um consórcio binacional formado pelas empresas brasileiras Sunlution e paraguaia Luxacril. Além da energia solar, Itaipu também investe em hidrogênio verde e baterias, por meio do Itaipu Parquetec, um ecossistema de inovação criado em 2003. O centro desenvolve hidrogênio verde via eletrólise da água, com aplicações na indústria e em transportes, e pesquisa o armazenamento de energia com o desenvolvimento de células e protótipos de baterias.

A usina também aposta na geração de biogás e biometano a partir de resíduos orgânicos, incluindo materiais apreendidos pela Receita Federal e pelo Ministério da Agricultura. Uma unidade de demonstração de biocombustíveis, gerida pelo CIBiogás, transforma esses resíduos em combustível limpo. Em quase nove anos, mais de 720 toneladas de resíduos foram processadas, gerando biometano suficiente para percorrer 480 mil quilômetros. A planta experimentalmente desenvolve também o bio-syncrude, óleo sintético para a produção de Combustível Sustentável de Aviação (SAF).

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