Brasília, DF – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, iniciaram um movimento de reaproximação política após um período de atritos entre o Planalto e o Congresso Nacional. A mudança de tom é marcada pela retomada de diálogos e pela agilidade na tramitação de pautas consideradas prioritárias pelo governo no Senado.
Um dos pontos de discórdia foi a indicação do Advogado-Geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF). A sabatina de Messias está prevista para o dia 28. Em um esforço para selar a paz, articuladores políticos de Lula trabalham para organizar um jantar com Alcolumbre e outros senadores antes da votação.
Outro gesto que sinalizou a melhora nas relações foi a aprovação rápida, pelo Senado, do nome do deputado Odair Cunha para o Tribunal de Contas da União (TCU). A votação ocorreu um dia após a aprovação na Câmara.
A reaproximação também atende a interesses eleitorais. Alcolumbre busca apoio federal para a reeleição de Clécio Luís ao governo do Amapá. O senador Randolfe Rodrigues, líder do governo no Congresso, deve compor a chapa de Alcolumbre.
Em março, Alcolumbre participou da posse do ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, e exaltou o diálogo entre o Congresso e o governo. "Não precisamos concordar com todas as opiniões, sejam partidariamente ou ideologicamente, mas o Parlamento fez a construção do que era possível e do que é prioridade para o Brasil", afirmou.
O distanciamento anterior de Alcolumbre ficou evidente em sua ausência em eventos importantes, como a sanção da lei de isenção do Imposto de Renda em novembro e a cerimônia do novo ECA Digital em março.
O desgaste entre os chefes dos poderes executivo e legislativo se intensificou após a indicação de Messias para o STF, que contrariou Alcolumbre, que preferia a indicação de Rodrigo Pacheco. A relação tensa também se refletiu no esvaziamento de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) de interesse do Planalto e do Senado.
Fonte: O Globo