O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, negou nesta sexta-feira (17) que a saída do coronel José Augusto Coutinho do comando da Polícia Militar tenha relação com sua citação em uma investigação da Corregedoria da corporação. O caso apura a atuação de policiais como seguranças de supostos integrantes do PCC ligados à empresa de ônibus Transwolff.
O ex-comandante-geral da PM foi trocado a pedido do governo. Segundo depoimento obtido pelo GLOBO, Coutinho teria tentado convencer um policial suspeito de prestar serviço de segurança para a Transwolff a permanecer na Rota, tropa de elite da instituição. A investigação aponta que sete PMs aderiram ao esquema, prestando escolta a diretores da empresa investigada por elo com o PCC e recebendo pagamentos com notas frias.
Tarcísio afirmou que a saída de Coutinho foi a pedido do próprio oficial, sem ligação com as apurações. "Ele pediu [para sair], mas não por causa disso. É absolutamente inconsistente. Ele não tem nada a ver com esse negócio", declarou o governador.
A troca no comando da PM foi oficializada na quinta-feira (16), com a nomeação da coronel Glauce Anselmo Cavalli, a primeira mulher a ocupar o posto em São Paulo. O escritório de advocacia de Coutinho informou que o coronel é idôneo e que não teve acesso aos autos da investigação até o momento.
A Secretaria de Comunicação do governo de São Paulo limitou-se a dizer que não comenta investigações em curso, mas reiterou o compromisso com a legalidade e a apuração de desvios de conduta.
A acusação contra Coutinho parte de um sargento preso em fevereiro, que alegou ter recebido ajuda do coronel para permanecer na Rota mesmo fazendo 'bico' para a Transwolff. A empresa foi afastada do serviço de ônibus após investigações apontarem uso para lavagem de dinheiro e favorecimento ao PCC.