Brasília - O governo federal tenta transformar a operação policial que resultou na prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique, em vitrine de seu combate à corrupção. A estratégia, articulada pela Secretaria de Comunicação Social (Secom), culminou em entrevista coletiva com o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, e diretores da Polícia Federal, nesta quinta-feira (16/04/2026).
Apesar da tentativa de exaltar ações do Executivo, a iniciativa enfrenta resistências internas e receios de aliados. O temor é que o caso, que apura fraudes no Banco Master, afete a corrida eleitoral deste ano. Embora não haja, até o momento, envolvimento direto de membros do governo, a repercussão negativa do escândalo financeiro é vista por correligionários do presidente Lula como um dos fatores para a queda em sua popularidade.
"A pesquisa é uma fotografia do momento, e reflete o crescimento do sentimento antissistema, principalmente por conta das denúncias de corrupção que o país está vivendo", avaliou o presidente do PT, Edinho Silva. "Aos olhos da sociedade, se existe corrupção, a responsabilidade é do governo, é das instituições, e o presidente da República é o maior líder institucional do país."
A comunicação do Planalto se vê dividida. Por um lado, há o receio de que as investigações toquem em ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) com ligações com Daniel Vorcaro, dono do Master. Por outro, a defesa em dar mais visibilidade às ações para reforçar o discurso de Lula contra a corrupção, especialmente a "de cima" – como o presidente tem classificado.
O ministro Wellington César Lima e Silva negou que a entrevista tivesse motivação política. "A Secretaria de Comunicação Social (Secom) nos procurou dizendo que muitas pessoas estavam pedindo informações", afirmou, classificado a coletiva como um "dever de informar". A entrevista foi convocada após embates entre a Secom e a cúpula do PT, que defende associar o caso à oposição e vê nele um tema eleitoral.
A pré-campanha petista já elabora estratégias para vincular o caso Master aos adversários. No entanto, a cautela deve predominar nos ataques durante o período de formação de alianças com o centrão em diversos estados. Fonte: O Globo